domingo, 10 de abril de 2011

No Escuro





         A escuridão muitas vezes nos parece assustadora. E no escuro preferimos ficar simplesmente parados. Mais parados do que normalmente costumamos ficar. Mas não exatamente fazendo algo. Só parados.            


        Mas a escuridão não é nada alem da ausência de luz. E enfrenta-la é o melhor que temos a fazer. Vá em frente.

sábado, 9 de abril de 2011

E se o amor só magoa, por que continuamos?

         
         Faz um dia, eu estou pensando em um tema para escrever. Um tema que tenha a ver com amor. Amor pois não queria que esse blog fosse somente um blog inteligente. Pois inteligência me cansa se é demasiada. Então optei por uns textos do assunto que interfere na vida da maior parte das pessoas, o amor. Aparentemente um tema fácil, pois não pra mim. Pois sempre que escrevo sobre o amor escrevo como se fosse um serealkiller falando sobre como ama o peixinho de estimação. 
         E eu não conheço nenhum amor que tenha dado certo. Em todos há brigas, em todos há desconfiança e em todos há um final devastador. Livros já me disseram que o único amor eterno e perfeito é o amor não concretizado.
         E não é atoa que eu escreva do amor com um certo ódio.
         Mas porém então por que as pessoas são tão obcecadas por ele? Por que as pessoas continuam o dando outra chance? 
         Pois, embora seu final seja devastador ele pelo menos existiu. Todas aquelas noites em que você poderia ter ficado sozinha você estava nos braço de alguém, sabendo que era amada e amando. Horas falando sobre coisas que não eram importantes para o resto do mundo porém que de um jeito ou de outro faz todo o sentido pra vocês. E o ponto alto do seu dia se torna fazer o outro rir. Uma risada verdadeira.
         Por isso, mesmo que você saiba que vai acabar, pense por um momento que não, e aproveite assim todos os outros momentos futuros.

domingo, 3 de abril de 2011

O Pingo, parte IV




Já não estou mais achando jeitos diferentes de falar isso, então tentarei ser breve. Pingo é uma história em partes. Então leiam as outras para poderem entender. Parte I - http://launogueira.blogspot.com/2011/01/o-pingo-parte-i.html Parte II - http://launogueira.blogspot.com/2011/02/o-pingo-parte-ii.html Parte III http://launogueira.blogspot.com/2011/03/o-pingo-parte-iii.html E essa que você está lendo é a parte IV. (Viu, o SM também é cultura e você aprende algarismos romanos, ou não)


O Pingo, parte IV


Rolou e rolou, e chegou em casa. Chutaria alguma, se tivesse pernas. Coitado do nosso pequeno pingo.

Após todo o dia de trabalho - que não fora fácil afinal, você deve saber como é receber um olhar de desprezo. Agora imagine os de uma sala imensa. E lotada.

Uma das menos reconhecidas, porém mais praticadas facadas da sociedade.

Voltando para casa fora roubado. Foi uma sensação horrível de impotência. De terror. E isso acontecia todos os dias, com todo mundo, e ninguém simplesmente fazia nada a respeito. Ouvira mais cedo em seu trabalho dois pingos sussurrando - rapidamente - sobre como tinham sido roubados. E como se sentiram normais.

Outra facada. Talvez mais forte.

E foi dormir. No outro dia já tinha se esquecido de tudo. Claro que nao havia esquecido literalmente, mas só tinha se acalmado.

E dia após dia foi dormindo, acordando ate que nem sentia mais os olhares, nem reparava mais nas pessoas dormindo no parque da cidade, nem se incomodava mais com os furtos. Aprendera a sair de folha com pouco dinheiro. Sua folha, alias, que folha ridícula, nem parecia mais folha cercada de grades e muros e cercas.
No trabalho não tinha muitos amigos, mas como nunca tivera nem sentia falta de tê-los.


- Chame o 808 para minha sala.

Foi assim que começou. O pingo finalmente teria seu trabalho reconhecido.
Teria que disputar com outros dois pingos pelo cargo critico cinematográfico. Um deles era seu único amigo, 792. O trabalho era exatamente o que ele queria. E iria ganhar


Semanas se passaram. Sim aquele trabalho era realmente um sonho. Ia a pré-estréias e escrevia as suas criticas. Um dos pingos já fora eliminado na primeira semana.
Na segunda semana estava vendo um filme, que na sua opinião era o pior que já havia visto, e escrevendo.


-Tem alguém sentado ai? - um pingo perguntou
- Não, pode se sentar.
- Então você que é o critico?
-Exato.
-E o que você esta achando?
- Sinceramente é um dos piores filmes que eu já vi. Desculpe, quem é você?
- 846, o diretor o filme.
- Ah, me desculpe... O filme tem um tema até que interessante, e
- Tudo bem, os pingos não gostam muito dos meus filmes. Mas talvez nos possamos sair, eu te prometo que não sou tão ruim quanto os meus filmes.
- Pode ser. Desculpa pelo que eu falei, eu realmente...
- Eu já disse que tudo bem. Não precisa se desculpar.

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Dica: O que é um pingo?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

E o mundo, o que você tem feito?



     
    E o Japão, o que você tem feito por ele? Tem pelo menos rezado a noite? E se você faz isso saiba que não adianta nada, pois se Deus realmente existisse com toda a sua bondade e tivesse soprado o mar para que uma onda gigante se formasse e devorasse o Japão o seu pedido para que ficasse tudo bem não vale de nada.
     Não estou dizendo isso por estar fazendo alguma coisa.
     E quando você chega em casa depois de um dia estressante, se você encontrasse uma banheira enorme, cheia de espuma. Você com certeza passaria horas lá dentro, não?
     Mas leitor, e a água que você teria gastado? E seus filhos, seus netos, nunca terão essa água de volta. Claro que isso supondo que eu acredite que a água possa acabar. Mas isso já é um assunto pra outro post.
     Enfim, aonde eu queria chegar é que vocês estão pouco ligando pra tudo isso. Você pensa "Poxa, coitados dos japorongas" mas não faz nada. Você diz "As indústrias estão sujando as águas, o ser humano esta causando o aquecimento global" mas quando é pra você diminuir o tempo do seu banho revigorante você não o faz. 
     E sim, é muito feio admitir que realmente não ligamos para os problemas do mundo porém é a verdade. Eu já tentei dar uma de idealista e salvar o mundo, mas não deu certo pra mim.

     "Não podemos mudar o mundo enquanto o sistema ainda for capitalista. Mas podemos nos consolar fazendo compras." Banksy.

sábado, 26 de março de 2011

Mas não conseguia



Uma menina, quieta, tímida, sem sal. Estudava, não tinha muitos amigos, ficava no computador conversando com os poucos que tinha. As pessoas diziam para os pais daquela menina que queriam que seus filhos fossem educados como ela.

Uma menina, impulsiva, cheia de ideias, porém carente. Tinha todos os amigos que precisava. Sonhava, porem seus sonhos pareciam sempre deixar alguém desapontado, por isso dava o máximo de si para agradar de outros modos. Estudava, porém nunca era o bastante, nota 9 não significava o máximo, e por isso sempre desapontava seus pais. E novamente partia para alguma outra de tentar agrada-los
       
         Uma menina um vulcão de emoções e de coisas a dizer. Mas não conseguia. Com uma dúzia de pessoas a abraçar e falar o quanto elas realmente importavam, e tantas outras pra mostrar o dedo médio e falar pra parar de ser tão filho da puta, na falta de uma palavra melhor. Mas não conseguia. Menina que cansara de viver sua vida nos moldes da felicidade dos outros. Mas não conseguia desapontar os outros. Menina essa que se expressasse tudo o que sentia não seria objeto de desejo entre os pais.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Eterno enquanto durar. Ou em nossa mente.



                   
                    Ele estava deitado. Fingindo concentração em alguma coisa que na verdade não tinha tanta importância. Fingia que não ouvia nada - quisera ele que não ouvisse mesmo. Barulho de coisas se quebrando muito bem abafado pelo barulho dos gritos.
                   
                    É, aquilo de fato estava piorando. Se um dia ele se casasse não queria ter que chegar a aquele ponto.
                   
                    Se um dia tivesse que viver com alguém com quem tivesse que se justificar todo o tempo, tivesse que se fazer de cego e passasse mais tempo discutindo do que acariciando e sussurrando palavras de amor preferia ficar sozinho.
                   
                    Encarou isso. Pois o amor nunca foi nem será para sempre. Juras de amor eterno são em vão, pois as pessoas mudam e assim elas adaptam o exterior a essas suas mudanças.
             Então que pelo menos meu amor seja eterno enquanto dure. E quando não for mais assim que eu siga em frente.

...
                   
                    No outro dia logo após um almoço silenciosos seus pais lhe contaram a noticia. Iam se separar.
                   
                    Nesse momento o jovem desejou que tudo voltasse como era antes. Seus almoços de domingo, suas noites de pizza e filmes...
                   
                    Só assim entendeu que o verdadeiro amor não é tão simples. Mesmo depois que morre não nos esquecemos de quando o tínhamos. E as vezes continuamos juntos só por medo de esquece-lo.

sábado, 19 de março de 2011

Os hospitais tem geradores



             Sim, geradores. Eles os tem pois as pessoas não podem morrer simplesmente por que os aparelhos se desligaram.

             Mas algumas morrem na porta do hospital pois não tem dinheiro para paga-lo.            
            
             E é esse o mundo que vivemos.

sábado, 12 de março de 2011

Noção de sobrevivência importante

           

         As pessoas. Seres complexos ao extremo. Uma hora estão felizes e te querem mais que bem. Na outra você já não é mais nada para elas.

E aquela pessoa, para qual você tinha mais expectativas te decepciona brutalmente. E seu coração se corrói por dentro, grita desesperada mente por ajuda.

Porem é um grito mudo.

Você o esconde por traz de um sorriso sem graça e se vê consolando os outros, diz que está tudo bem e que no fundo a pessoa não importava tanto assim.

Mas no fundo você não consegue parar de se perguntar, por que essas pessoas entraram na minha vida se era pra elas me decepcionarem tanto assim?

O segredo é não esperamos mais nada de ninguém. Não sei se eu aguentaria mais alguma decepção desse tipo.

O Pingo, parte III



            Essa é a terceira parte de uma história (dã), e pra quem não leu nem a primeira (http://launogueira.blogspot.com/2011/01/o-pingo-parte-i.html) nem a segunda (http://launogueira.blogspot.com/2011/02/o-pingo-parte-ii.html) parte eu recomendo ler, sabe como é, pra entender melhor a história.
           
            Então vamos ao que interessa. Ou não:

Pingo parte III
 
Rolou e rolou e chegou no seu trabalho. Não era bem aquele sentimento que ele esperava. Estavam todos andando rapidamente, como que se não o fizessem as consequências seriam gravíssimas. Outros parados, ou melhor, não se movimentando digitavam avidamente e seus glóbulos oculares se movimentavam rapidamente também. Todos com pressa.

Por vezes algum pingo olhava-o - rapidamente é claro - mas era um olhar com enorme significado. Desprezo, era esses o sentimento presente nos olhares. E esse desprezo o acertava como uma facada. Era como se estivesse morrendo aos poucos.

Virou as costas e saiu correndo talvez mais rapidamente que esses robôs para fora da empresa. Em seu pensamento, é claro. Teria que suportar aquilo, com o tempo se acostumaria. Ele esperava.

- O que você ainda está fazendo ai parado? - disse um outro pingo com pressa. Porém esse novo pingo não tinha um olhar de desprezo. Na verdade tinha um olhar vazio, mas o pinguinho não se importou, estava feliz por receber um olhar com a expressão diferente - por acaso você é o novo pingo que veio trabalhar aqui?

-É, hoje é o meu primeiro dia sim.

- Então venha comigo, vou te apresentar o seu local de trabalho. - depois de andarem mais um pouco, dessa vez sem olhares de desprezo pois o pingo já havia se "enquadrado" por estar também estar com pressa - É aqui. No computador 808. Não se incomode se as pessoas começarem a te chamar assim. É que aqui tem tantas pessoas que acabamos chamando-as por números, é mais fácil assim.

Ficou sentado o dia inteiro lá trabalhando. Escreveu alguns artigos sobre papel-higiênico, o que não era bem o que ele tinha em mente, mas era um começo. Foi chamado a sala do comandante daquele setor, mas somente para levar cafezinhos. Nenhum trabalho reconhecido, por enquanto.

Enquanto o nosso pingo refletia sobre a quantidade de camadas adequada para o papel-higiênico, não viu o tempo passar. Quando olhou pra cima realizado por ter terminado o trabalho - que em sua opinião havia ficado muito bom - percebeu que não havia mas ninguém lá.

Achou aquilo totalmente estranho. Afinal as pessoas não costumavam sair depois do trabalho, quando entrava alguém novo, para comemorar uma possível nova amizade? Pelo menos era aquilo que sua mãe costumava lhe contar.



A primeira dica pra quem não entendeu tudo o que eu tenho a dizer é se esforcem. Pois essa dica na verdade é quase que a resposta. É só interpretar o que eu escrevi.
Próxima dica é: Pensem no formato do um pingo dentro de um copo d’água. Agora dentro de uma bolha.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Emocionalmente perto do que é fisicamente distante

"Sinto sua falta terrivelmente" ou "Sinto terrivelmente a sua falta"
           
            A distancia não existe. Ela é uma mera invenção da nossa mente, pois hoje em dia a tecnologia é nossa aliada, e ela nos aproxima quer estivermos com um oceano entre nós ou apenas algumas cidades.

            Em parte isso é verdade. Alguém a quem você só conhece de vista não se faz importante o bastante para que nos faça sentir falta.
           
            Só conversar é o bastante. Mas com o tempo a conversa vai se tornando mais intensiva, até que ambos se percam em um mar de risadas que no fundo fazem todo o sentido. Ou em outros casos só o silêncio basta. Poucas palavras, muito escolhidas, um sabendo que o outro espera avidamente a resposta, mesmo que seja um XD

            E então é a partir daí que surge a saudades. E aflitamente se percebe que se sente falta da voz, do rosto da outra pessoa. Embora muitas vezes não se lembre exatamente como eram. Porém por outras vezes se lembram das lágrimas, dos abraços, das músicas até mesmo do jeito que a pessoa - fisicamente longe de você - costumava jogar o cabelo para traz.
           
            E então conversar com essas pessoas se torna insuportável. Um mar de saudades, a falta enorme que a pessoa te faz no dia a dia e você só se perde em pensamentos sobre tudo o que daria para ter um abraço deste, mais que um amigo, um irmão.
           
            Mas ao mesmo passo que não falar com essa pessoa também é insuportável. Quando não está falando com ela só consegue imaginar sobre o que estariam falando. A toda hora que vê algo sente vontade de correr para o computador para conta-lo. Cada pequena coisa faz com que se lembre dela. Alguém com o queixo um pouco mais quadrado, ou com o cabelo bem preto e repicado. Mesmo que vagamente, nos fazem lembrar destes amigos.
           
            Parece impossível e injusto que duas pessoas emocionalmente tão próximas possam estar fisicamente tão separadas.
           
            E todo o dia antes de dormir, tentamos lembrar-nos do rosto dessas pessoas que estão longe. A cada dia esquecendo mais um pouco. A cada dia desejando um pouco mais o ver novamente.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sonhos


"Você está vivendo seu sonho?"

Sonhos... Sonhos são decepção, sonhos são euforia, sonhos são lágrimas – por horas de tristeza e outras de alegria – mas acima de tudo sonhos são necessários.

Pois embora muitas vezes eles nos decepcionem eles são o que nos move. Eles são no nosso estímulo, nos fazem lutar pelo que queremos.

Mesmo parecendo impossíveis muitas vezes são realizáveis, e ESSES são os sonhos que movem o mundo. Estes sonhos idealistas, sonhos inovadores.

Por isso: SONHE, sonhe nova, sonhe diferente, nunca deixe de sonhar, sonhar acordado.

Mas lembre sempre de se levantar.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Vazio

         

          Vazio, era o que o descrevia. Se sentia assim a algum tempo, sentava-se olhando para o céu. Única coisa ainda perfeita que restara no mundo. Estava nublado. Quisera ele que fossem nuvens passageiras.

          Porém o céu permanecia nublado a alguns dias. Poeira humana. Não sabia ao certo o que era mais tinha certeza de que esse era o caso.
         
          Enquanto pensava sobre isso e se deliciava com a imagens das poucas estrelas que ainda podiam ser vistas da terra adormeceu.
         
          Nesse mesmo momento uma menina, como a que ele sonhara também adormecia. Porém diferentemente do menino, ela adormecera eternamente.
       
          E isso tornara o vazio entre os dois ainda maior.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

As galinhas não ciscam mais

"Hoje eu não fiz nada o dia todo. E me senti incrível"
            
         Pare um pouco, olhe a sua volta, veja tudo que você tem, tudo que você poderia ter, tudo que já existe hoje em dia e que antes que você possa adquirir já se tornará algo obsoleto.
        
         Agora esqueça tudo isso, volte a mais ou menos 2783 anos atrás. Não exatamente nessa data, pois 2783 é um número qualquer acima de 2011 que eu escolhi. Mas enfim, volte ao período Neolítico. E pense tudo de novo, você neste mesmo lugar mas em outra época.

E agora me responda, qual desses dois "eus" são melhores? O de hoje né? Tem mais conforto.

Ok, positivista (se você acha mesmo que somos melhores, positivista é o que você é. Pra mim é só uma substituição bonitinha para preconceituoso), mas o que esse conforto nos trás de bom? Até onde ele é bom?

Por que sinceramente, esse excesso de conforto tem gerado uma certa comodidade nas pessoas.

Pra que eu vou querer refletir sobre as coisas se eu não preciso disso pra passar no vestibular arrumar e emprego? Pra que devolver a caneta pra professora se ela nem lembra mais pra quem emprestou, e assim eu não preciso comprar uma caneta nova? Pra que ouvir uma música com algum significado se ela vai me fazer pensar?

É, pra quê? Hoje em dia somos cômodos, não nos importamos mais com a ética, com os outros, com nossos valores, nem sequer com o que nos cerca.

Firmamos uma sociedade hierárquica na qual quem esta no topo é incapaz de olhar para baixo. Fazemos guerra por coisas que possam nos trazer pedaços de papel. E é só isso que importa. Todos seguem Maquiavel, mesmo sem ao menos saber quem ele é. Pois no final são os fins que justificam os meios.

A comodidade é tão grade que, depois de um fim de semana em uma fazenda eu percebi que nem as galinhas ciscam mais. Que atrofiem as patas e morram.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Uma pena, talvez pudessemos ser felizes juntos.

     
        "Será que ter vindo foi uma boa escolha?" foi o que ela se perguntou durante todo o caminho. Claro que o parque não fora uma boa escolha, pois lá era o lugar deles. Ou pelo menos é o que ela pensava em épocas anteriores.
      
         "Tudo bem, nos sempre fomos só amigos, não há motivos para ser diferente agora." Ela sabia que não era bem assim, mas tentava reconfortar-se desse modo.
      
         E ele estava lá sentado, olhando fixamente para o chão, como se no momento essa fosse uma das razões de sua existência. E talvez fosse.
        
         - Então se você quiser você pode chegar no horário. - ela disse. Talvez um pouco maldoso da parte dela, mas ela não se importava, ele sempre a havia feito esperar, e já era demasiado.
         
         - Desculpa. - dava pra ver no seu olhar ele realmente estava envergonhado. Ela teve uma leve satisfação, que controlou. Mais tarde se perguntou se esse seria o mesmo sentimento que o fazia dar um sorriso macabro no passado.
      
         Ela se sentou. Eles conversaram, ele evitava levantar os olhos para olhar nos dela. Mas quando o fazia ela examinava os dele. E reconhecia aquele sentimento. O de desespero, desespero que o assunto acabasse e do que tinha para dizer quando o mesmo acontecesse.
       
         E ela estava se reconhecendo em todas as ações dele, e começou a sentir certa pena. Passou um tempo pensando no que deveria fazer com essa pena, e quando percebeu o assunto já havia terminado.
        
         Então era ela que agora desesperava-se para que o assunto não acabasse, não queria ouvir, não queria falar. Queria que alguém apertasse o botão de mudo no mundo, e que assim permanecesse. Mas percebeu que já era tarde pois ele engoliu em seco, com certeza se preparando para o que tinha a dizer.
        
         - Eu te amo. - ele disse, agora olhando para o chão mais do que nunca. Eles ficaram em silencio por um tempo. Então ele olhou para ela.
        
         - Eu sei. - foi o que ela conseguiu falar. Os olhos dele se encheram de lágrimas. Ele sabia o que estava por vir. - E sabe o que é o mais engraçado de tudo isso? - conforme ela ia falando algumas lágrimas escoriam pela face dele. Embora ele estivesse lutando fortemente conta isso - Essa é a típica história de "não me deu valor enquanto eu te amava. Só depois de ter me perdido." Uma pena. Nos podíamos ter sido felizes.
        
         E com essas palavras ela se levantou e foi embora. Enquanto ele permaneceu sentado lá durante alguns minutos com o olhar vazio.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Pingo parte II

         

           Então como prometido, para inaugurar o mês de fevereiro temos a segunda parte da história do pingo. Pra quem não leu a primeira parte eu recomendo lê-la, pra ter um melhor entendimento da história, sabe como é. É só clicar aqui http://launogueira.blogspot.com/2011/01/o-pingo-parte-i.html por que eu não sei fazer do jeito bonitinho que o aqui fica azul e literalmente se clica no aqui.

Mas voltando ao que é mais relevante, eu queria descumprir minha promessa, que era escrever durante os doze meses. Mas por questões de falta de imaginação eu resolvi escrever só por seis. Mas caso termine antes, eu já me desculpo previamente. Então sem mais delongas, vamos a história:

O Pingo parte II

Rolou. Enquanto rolava observou tudo a sua volta, e se admirava. Não por que era diferente afinal, ele já havia estado lá milhares de vezes, era a maior cidade de seu país.

Mas dessa vez o olhar era diferente. Não era o olhar de quem queria morar lá um dia, como sempre fora.

Era o olhar de quem agora morava lá. E era isso que admirava nosso pequeno pingo.

Com um pouco de custou conseguiu achar uma folha um tanto simpática para morar.

Tudo bem, não era exatamente o que o pinguinho imaginara. Mas confortava-se no pensamento de que morava sozinho, por isso não precisaria de espaço. Nunca precisara, pensou.

Mesmo vindo de uma arvore pequenina, o pingo era muito inteligente (de fato fora o que o trouxera para onde estamos), e arrumar um trabalho não era uma coisa tão complicada pra ele. E assim conseguira o emprego que sempre imaginara. Que é claro não conseguiria na antiga arvorezinha onde morara, era assim que pensara desde quando se murara pra lá.

Mas voltando ao emprego, era numa grande empresa jornalística, embora soubesse que não era bem um emprego do futuro, e que não fosse durar muito tempo, mas não se importava, pois seus planos não eram continuar lá por muito tempo. A empresa era só um meio de fazer seus contatos, para futuramente se tornar uma critica de filmes.

“Começa semana que vem” foi o que seu contratante disse. Aproveitaria assim a semana livre para fazer um pouco de turismo. Museus, parques, havia muitos lugares a ir. E o melhor de todos é que teriam muitos outros pingos lá. E pingos diferentes. Esse era um de seus hobbies, observar os outros pingos, estudá-los, não havia nada que o fascinava mais do que estudar os outros.

Ficava sentado, olhando, o que atraia muitos olhares tortos e algumas risadas, uma vez já atraíra uma senhora de idade, lhe avisando sobre os malefícios das drogas. Não a julgava, parecia mesmo um drogado. Um pingo somente parado aparentemente olhando pro nada.

Assim a semana passou rápido, e logo a segunda feira chegou. Não posso dizer pelo o que o pingo esperava. Era o pingo mais sem expectativa possível. Só esperava não ser demitido no seu primeiro dia.

Então logo cedo lá se foi para o seu primeiro dia de trabalho animado e pimpão.
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Quando eu digo ele, neste texto, eu me refiro ao pingo, que é masculino. Não necessariamente um homem. E então resolvi propor um desafio a vocês meus ilustríssimos leitores, e a cada postagem do pingo, colocarei uma dica no rodapé. E a pergunta do desafio é: Por que eu escolhi um pingo, não um humano com o sexo definido?

Ps: E quanto ao fato de eu colocar fotos de pessoas nas postagens dos pingos, é por que eu não consigo achar fotos apropriadas. E também por que eu não tenho bem definido como é esse pingo. Isso é uma dica

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O segredo é o foda-se

        
         Desculpem pelo titulo do blog. Eu sei que tem um palavrão e palavrões são feios. Mas façam um esforço, não parem de ler por causa disso, afinal é por uma boa causa. Então vamos a história.
     
         Esses dias eu estava falando com um conhecido. Amigo este que escreve coisas como Olanda e ajente. E eu obviamente não o dava muito crédito. Mas conversava com ele, pois mesmo com seus erros ortográficos tinha uns assuntos e opiniões interessantes sobre maconha e a vida de Bob Marley.


         E esses dias, no ápice dos nossos assuntos mais fúteis, estava  ele me contando sobre as primas que já pegou, o que costuma fumar no nargui, o que costumava fazer quando saia com os brother dele e, não que eu tenha vontade de fazer essas exatas coisas eu, porém me peguei pensando no quanto seria legal ser como ele, e fazer o que me desse vontade, sem me preocupar muito com as consequências.


         E soltei um: "Caramba, sua vida deve ser muito boa"


         Então ele foi tentar me ensinar o segredo de uma vida mais "feliz":


         - o segredo é o foda-se, vc precisa dele para ser feliz.


         E eu com todo o meu pessimismo respondemos:


         - sim, mas você precisa de coragem para dizê-lo


         - ai que ta vc precisa sentilo n é so dize-lo, meu tanto loko ai que eu ja conheci que é super inteligente vc num tem noção aquele cara de olhar na rua vc diz, nossa esse cara nao tem nada... sabe? então teve um cara que eu vi o nome dele é charlie um hippeta de caminhada ae no brasil, o cara é um poço de cultura e vc olha pra ele e vê um nada.


          Foi ai que eu aprendi, o que na verdade eu já sabia, porém não tinha coragem de admitir, você não é, e nunca será feliz se viver sempre se preocupando com o que os outros pensaram das suas ações. Esse era o meu problema. E o problema de muitas pessoas por ai. Tem que ser de um jeito com seus amigos, tem que ser de outro com o professor, de outro com a família, de outro com o namorado.


         O único jeito de ser feliz é dizer, e sentir o foda-se para o que os outros estão pensando e fazer o que mais te dará felicidade no momento. Tudo bem que assim você ganhará uma dúzia a mais de pessoas falando mal de você mas, foda-se, sempre haverão as pessoas que falam mal de todos.


         Foda-se e (um pouco de) juízo são provavelmente o mais simples caminho para uma vida feliz.


         E a maior parte de nossa inteligência, não vem da escola, e sim de como compreendemos o mundo.


        Obrigado Kaique

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

E finalmente um dia entende-se tudo



Pelo menos é raramente, isso é só mais uma daquelas noites em que não me vem outra coisa na cabeça a não ser você.

Já fazia um tempo que eu não pensava em você, e pelo menos não desejo mais te ver com a mesma intensidade. Mas é claro que não jogaria fora a oportunidade, não pelos mesmos motivos de antes, provavelmente não aconteceriam as coisas que aconteceram aquele dia, porém aquelas mesmas borboletas viriam parar no meu estômago, e eu provavelmente tentaria de tudo para que você de algum modo me achasse mais legal, mais bonita ou mais inteligente do que da ultima vez, por que, por mais que a muito tempo eu tenha deixado de ligar para opiniões alheias, acredite, a sua contaria.
E naqueles momentos que eu passo sentada num canto, ouvindo musicas do Elvis e tomada por essa angustia, pode ter certeza de que sempre são todos pensando em você, esse sempre que com o tempo se tornou às vezes, mas que eu tenho certeza de que nunca se tornara um nunca, pois em algum outro momento da minha vida eu vou voltar a pensar em você, e vou lembrar-me de quando nos tentávamos achar um jeito confortável de sentar a dois em uma escada de caracol, de quando você me abraçou forte e se lamentou por não ter um casaco para me emprestar, nem de quando eu desenhei um coração na sua mão.

Mesmo coração que eu continuei desenhando na minha por meses.
E por mais que você tenha me decepcionado - e muito - sempre vou guardar as melhores lembranças de você, mesmo que nos ver novamente seja um sonho muito distante.

Este texto foi escrito em 11 de Outubro, a 1:53 am. Hoje em dia eu me arrependo de cada palavra proferida, porem como achei que ficou um texto simpático, eu quis postar mesmo assim. E que fique claro, se você estiver lendo, vá tomar um copo de soda caustica, por favor.

sábado, 22 de janeiro de 2011

E ela decide ter mais atitude

Era uma menina, menina quieta essa. Menina que não tinha muitos amigos, por mais que quisesse. Uma menina que nunca compreendeu todo o significado de amor, por mais que já tivesse se apaixonado várias vezes.


Menina essa que estava novamente apaixonada. Mas dessa vez ela achava que era diferente. Se bem que toda vez que isso acontecia ela achava que iria ser diferente. Mas dessa vez ela tinha certeza.


E certo dia falando com esse menino, ele diz que atitude é uma coisa essencial para ele. E ela decide ter mais atitude. Começa a falar mais, fazer mais piadas, ser mais espontânea, e vestir roupas diferentes. Porem, fez tudo isso inspirada em uma mulher que já existia.


Bem, ela não existia, ela era de um filme, mas acho que vocês entenderam o que eu quis dizer.


No começo ela se sente feliz, sente que tem mais amigos. Mas após uma semana ou mais, não me lembro, começa a sentir o peso de ser alguém que ela não é.


Após uma semana ou mais, ela percebe que todos estão rindo dela por ela tentar ser o que não é. E então ela se deprime. Volta a ser a mesma menina quieta. Menina que queria ter amigos. Menina que queria ser feliz.


Menina que um dia ainda compreenderá que, não pode mudar seu jeito por ninguém, a não ser por ela. Que ter atitude, não é ser como as personagens de filme. Elas são só ficção. Enquanto nós somos eternos para nós mesmos. E que ter atitude, pode começar simplesmente com a pessoa aceitando o que ela é.

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Desculpa pelo “Enquanto nos somos eternos para nós mesmos”. Realmente não fez muito sentido.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

True colors are beautiful, like a rainbow



Só não diria que este texto é muito piegas, pois o assunto do qual ele se trata ainda não é muito conhecido. Pois se fosse, todos falariam a mesma coisa que eu.
Ou não falariam, pois o Corujas é um ligar inexplicável. Mas tentarei explica-lo, pois tal lugar merece. E tal lugar é muito mais do que eu provavelmente falarei.

Corujas, é um acampamento. E durante o dia fazemos coisas normais de acampamento. Não é isso que o difere dos outros acampamentos existentes.

É a atmosfera, a recepção que você tem lá. Tem-se a impressão de ter entrado em outro mundo, e que lá diferente da nossa vida real, as pessoas olham através do seu exterior.

Para ser querido lá, nem digo popular pois a idéia de popularidade já separaria as pessoas em grupinhos fechados e remeteria a exclusão, coisa que não acontece lá, mas como eu dizia, para ser querido lá, não precisa ser bonito, ter dinheiro, ou vir de uma cidade grande, basta ser quem você realmente é. Mesmo parecendo outro mundo, é claro que lá alguns se sobressaem, mas, ao invés de se gabarem por isso, eles o estimulam para se sobressair também.

E o mais impressionante é ver todos dando tudo de si. Ver que o ditado "participar é o mais importante" realmente é seguido. Ver as pessoas comemorando por terem perdido o jogo e não a animação. Ver as pessoas se fantasiando não para ficar o mais bonito, e sim pra ser o mais original. Gritar, com todo o pulmão letras de musicas aparentemente bobas, porém com grade significado, sem ter medo de ser estranha por gritar sozinha. Alias, lá não se grita sozinha, lá se começa um coro.

E corremos, gritamos e fantasiamo-nos. Até termos distendido nossos músculos, mas continuar adiando a dor, acabado com nossa voz, mas de alguma forma continuar gritando, e termos sujado todas nossas roupas, mas mesmo assim experimentar combinações bizarras, e rir de tudo isso no final.

It's hard to take courage
In a world full of people
You can lose sight of it all
And the darkness inside you
Can make you feel so small

But I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow


True Colors – Cyndi Lauper

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Compre, use dois dias, jogue fora


            Eu realmente, do fundo do meu coração, me envergonho da geração em que eu vivo.

            Sim, por todos os motivos que vocês estão pensando. Mas além disso, pois nossa geração é uma geração dispensável. Tudo feito nessa década é feita para durar somente por um tempo.

            E depois some. É assim. Com os livros, com a música, com as roupas. As coisas que duram, se você pensar bem, foram feitas por outras gerações.

           Uma amiga minha uma vez me disse: ” você pode pensar que sou louca, mas talvez eu fosse mais feliz se eu vivesse na época da ditadura. Pelo menos eu teria um motivo para viver, algo para que lutar”.

           Sim, a primeira vista  é até poético.

            Porém, se alguém realmente quiser lutar e quiser ter algo que lhe dê vontade de viver, pra que devanear com épocas passadas? No mundo em que vivemos, e que todos reclamam que esta acabando o que não nos falta é motivo para uma luta, uma revolução.

           Mas não, somos os adolescentes que preferem continuar no computador comendo nossos x-brugers e pensando em assuntos triviais, por que pensar – de verdade eu digo - é uma coisa desvalorizada hoje em dia.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Pingo, parte I



E que comecemos o ano com a história do Pingo. Vou tentar, mas só tentar, coloca um post por mês contando a história dele.
                      O Pingo, parte I 
               Era uma vez um pingo. Era esse um pingo que morava em uma arvore pequenina. E já conhecia muitos outros pingos moradores da mesma arvore.

 Era assim. Sempre fora, desde pequenos os pingo rolavam e brincavam juntos.

Mas o tempo passou, sempre passa. E os pingos mudaram, não de lugar, só de forma. Não a forma física – embora essa tivesse mudado também - mas sim a forma de se portar e comportar.

E nosso pingo não se enquadrou. E começou a se sentir sozinho, como nunca havia se sentido antes. Não se conformava com a forma de pensar desses outros pingos. Eles não enxergavam da o mundo mesma forma que ele.

No começo ele se incomodava com coisas menores, como a forma de se vestir dos outros pingos. Às vezes passava a tarde inteira olhando como todos os pingos se pareciam, alguns eram mais bonitos, esses normalmente vinham seguidos de um monte de imitações falsas deles.

Aquele pinguinho se recusava a ser uma mera imitação de alguém.

De outro pingo, quero dizer.

Por que esse pingo queria ser único, se é que me entendem. Queria deixar uma marca, queria fazer algo importante.

E foi a partir dai que começou a se incomodar com outros tipos de coisa. Uma delas, por exemplo, era como a mente dos outros pingos era pequena e restrita.  Como eles se contentavam com pouco, e não percebiam as vidas miseráveis e sem expressão que estavam vivendo.
O pingo imaginou não ser o único que pensava assim. E achou que a única solução seria ir para longe dali. Alguma outra arvore talvez. Estava cansado de ficar rodeado dessas pessoas de alma pútridas que o deixavam enojado.

E então rolou. Rolou até chegar a outra arvore.